Quinta-feira, 10 de Abril de 2014

Ecossistema de mangal no canal de Chiveve (Ponta-Gea--Goto) Beira

Por: Rajabo Caetano Bernardo Malua

 

Resumo

O presente tem como tema o estudo de ecossistema de mangal, sendo assim, está estruturado em dois capítulos o primeiro que aborda sobre a fundamentação teórica e o segundo capitulo que versa sobre a área em estudo.

 

 

Introdução

O trabalho versa acerca de Ecossistema com o seu maior enfoque no Mangal. Foi-nos pedido pela Docente Telma, da cadeira de Biogeografia, a elaboração de um trabalho cujo tema era livre escolha desde que respeitássemos a condição de analisar qualquer ambiente.

Este ecossistema que é de extrema importância para os diferentes seres vivos que nele habitam como também dele depende. Porem apesar da sua extrema relevância este ecossistema está em constante perigo devido as acções humanas que perigam a vida neste ambiente através da desflorestação e da urbanização ao longo do litoral.

Palavras-chave: ecossistema, mangal.

 

 

Justificativa

A escolha do tema, pretende-se com o facto de procurar compreender a importância deste tipo de ecossistema e das causas da sua diminuição.

Tendo em conta que durante o percurso do canal de Chiveve, nas suas margens caracteriza-se pela predominância deste tipo de espécie em pequenas escalas uma das outras secções durante o percurso do canal, achamos procurar entender o que se deve da sua diminuição. Sendo assim, acha-se relevante o estudo das causas que associam a tal diminuição e que implicação, sejam eles positivos ou negativos tem para a sociedade circunzinhas. Importa também a chamada de atenção da sociedade em geral e da comunidade em particular sobre a relevância do tema, de modo que contribuam para o bem-estar socioeconómico da sociedade.

 

 

Problematização

Tendo em conta que as margens do percurso do canal do Chiveve, encontram-se espécie do ecossistema do mangal, em uma escala muito diversificada, levanta-se a seguinte questão:

Ø  Que causas influencia a diminuição do ecossistema do mangal?

Hipótese

Principal

  • Acção antrópica.

Secundaria

  • Abate do mangal para a construção das habitações e fornecimento de madeira;
  • Acção dos ventos. 

 

 

Objectivos

Para uma melhor realização do trabalho aponta-se como objectivo:

Geral

  • Compreender o ecossistema do mangal

Objectivo específico:

ü  Localizar geograficamente o mangal no geral e na área de estudo;

ü  Descrever o perigo e formas de protecção do mangal;

ü  Identificar a fauna e flora deste ecossistema;

ü  Descrever as causas da sua diminuição.

Metodologia

O trabalho foi feito com recurso as fontes que foram susceptíveis a observação com recurso a Pesquisa Bibliográfica, Observação Directa e Pesquisa na Internet.


 

Capitulo I

1.      Enquadramento teórico e conceptual  

Ecossistema

É o conjunto de comunidades interdependentes cujos organismos reciclam matéria enquanto a energia flui através deles.

É a combinação funcional dos organismos com os factores ambientais, introduzindo assim dois tipos de componentes interactivas no ecossistema: a componente abiótica (relacionada com os ambientes) e a componente biótica (relacionada com os seres vivos). É neste âmbito funcional e relacional que o conceito de ecossistema acaba por ser transportado para o campo dos media. (CANAVILHAS, 2006:3)

Um ecossistema é um sistema de organismos vivos e do meio com o qual trocam matéria e energia. Num ecossistema existem duas ordens de factores. Os factores abióticos estão relacionados com a forma como o ambiente afecta a comunidade e, simultaneamente, como este é afectado por ela. Já nos factores bióticos inclui-se tudo o que diz respeito às relações entre populações, ou seja, à dependência existente entre elementos de uma mesma população, e entre esta e as outras populações.

Segundo Lehninger (1977:7) “em ecossistemas é importante estudar o fluxo de energia e matéria. A matéria viva é altamente organizada, ou seja, a sua entropia é baixa, e manter tal nível de organização contra a tendência natural de aumento de entropia demanda energia.” A radiação solar é a principal fonte de energia dos organismos de um ecossistema, entrando via fotossíntese. O fluxo de energia dentro do ecossistema é unidireccional, não havendo reciclagem de energia, o que é explicado pelas leis da termodinâmica.

Existem vários tipos de ecossistemas e sendo o Mangal parte deste ecossistema. E como o ecossistema é um conjunto vasto escolhe-se o Mangal para uma pequena análise pormenorizada deste ambiente bio-geográfico.

Mangal

São um grupo de, aproximadamente, 80 espécies de mangais, que podemos encontrar em todo mundo. Na maioria das vezes aparecem em áreas costeiras abrigadas, tropicais e inter-tropicais, sujeitas à influência das marés.

Para KATHIRESAN & BINGHAM (2001:45) Os mangais são um grupo muito diverso de árvores não relacionadas umas com as outras, como as palmeiras, arbustos, plantas trepadeiras ou rastejantes de caule delgado e fetos, que partilham a capacidade de viverem em solos alagadiços e salinos sujeitos a uma inundação regular. São plantas altamente especializadas que desenvolveram adaptações excepcionais em relação às condições ambientais únicas, nas quais podem ser encontradas.

Uma área influenciada pela maré pode ser interpretada como sendo uma linha de costa inundada pelos extremos das marés ou pode referir-se, de uma forma muito mais ampla, às comunidades das margens donde as marés provocam alguma oscilação no nível da água mas não alteram a salinidade. Por esse motivo os mangais podem ser encontrados não só a habitar as extensas áreas rasas de lodo ou terras lamacentas sob a influência das marés, mas também ao longo das margens dos rios num ambiente de água doce e não salobra.

Os mangais podem ser divididos em dois grupos distintos, os exclusivos e os não exclusivos. O grupo dos mangais exclusivos são o maior grupo, compreendendo cerca de 60 espécies e, estes mangais estão confinados às áreas “entre-marés”, não sendo encontradas dentro de nenhum outro tipo de comunidade vegetal. As restantes 20 espécies de plantas consideradas como mangais são as espécies não exclusivas e não estão limitadas ao ambiente típico do mangal, sendo muitas vezes encontradas em áreas mais terrestres e mais secas. Como exemplos destes mangais não exclusivos podemos referir as espécies Hibiscus tiliaceus e Barringtonia acutângula.

1.1 História

Os mangais são conhecidos e estudados, ainda que muito superficialmente, desde tempos muito recuados. Os registos escritos mais antigos de descrições sobre a árvore Rhizophora do mar Vermelho e do golfo Pérsico datam de antes de Cristo. No entanto, só no século XX é que se deu uma verdadeira explosão de interesse relativamente a esta floresta e a este ecossistema.

Os “mangais” têm um elo histórico longo com a cultura e civilização humanas. Nas ilhas Salomão, os corpos dos mortos eram colocados em águas dos mangais e aí eram realizados rituais sagrados.

Os portugueses, muito provavelmente, foram os primeiros europeus a visitar as florestas de mangal no oceano Índico, por volta do século XIV e aprenderam a tradicional técnica indiana de exploração agrícola de arrozal e criação de peixe nos mangais. Isto é ilustrado pelas cartas que os vice-reis da Índia enviaram ao rei de Portugal. Fonte bibliográfica

Já no século XIX, os britânicos utilizaram os conhecimentos práticos que os indianos tinham desenvolvido ao longo de séculos para gerirem as florestas de mangal nos Sunderbans, em Bengala, para produzirem madeira para construção e vigas e pranchas de madeira, destinada à construção de navios para a poderosa marinha do império.                 

1.2 Evolução

Os “mangais” evoluíram de plantas terrestres para plantas, de certa forma, marinhas. Foram encontrados fósseis de pólen de mangais em depósitos inferiores de ambientes estuarinos, isto o que sugere uma evolução destas plantas de um meio não marinho para um meio de estuário, com águas salobras.

Num passado muito distante estas plantas adaptaram-se à água salobra e tornaram-se no núcleo ou na base da flora da floresta de mangal. A diversidade dos mangais é muito mais elevada no Índico e no Pacífico Ocidental do que no Atlântico Ocidental e nas Caraíbas.

Foram apresentadas duas possibilidades concorrentes para explicarem este padrão. A hipótese do “Centro de Origem”, indicando que todos os géneros de plantas de “mangue” surgiram inicialmente no Índico e no Pacífico Ocidental e, depois disso, ter-se-iam difundido para outras regiões. Por outro lado, a hipótese da vicariância refere que todos os “mangais” se teriam originado junto do mar de Tethys, e que posteriormente o movimento dos continentes terá separado e isolado a flora em diferentes regiões da Terra, onde a diversificação originou diferentes floras.

As provas apoiam a hipótese da vicariância, propondo o mar de Tethys como a origem dos manguesmangais, demonstrando que a muito maior diversidade de mangais no Índico e Pacífico Ocidental se relaciona com as condições aí existentes, que favoreceram a diversificação.

Os mangais terão surgido na Terra logo após as primeiras angiospérmicas, há cerca de 114 milhões de anos. Os géneros Avicennia e Rhizophora, os dois mais representativos, foram provavelmente os primeiros a evoluir, aparecendo próximo do final do Cretácico. Um estudo sobre o pólen, a partir de amostras do final do Holocénico, efectuado na Bermuda, aponta para que os mangais ali estivessem implantados nos últimos 3000 anos, quando o nível do mar apresentou um decréscimo de 26 para 7 centímetros por século.

O importante género Avicennia só surgiu nesta região no final do Miocénico, há cerca de 10 milhões de anos. Um estudo sobre o pólen, a partir de amostras do final do Holocénico, efectuado na Bermuda, aponta para que os mangais ali estivessem implantados nos últimos 3000 anos, quando o nível do mar apresentou um decréscimo de 26 para 7 centímetros por século.

As alterações modificações na distribuição dos “mangais” podem revelar pormenores sobre os paleo-climas e sobre as alterações modificações ou mudanças no nível do mar.

1.3 A distribuição geográfica do mangal

Os mangais são encontrados normalmente em volta de todo o mundo no planeta entre as latitudes 32º Norte e 38º Sul e existem em todos os continentes, talvez à excepção da Europa.

Como sabemos a distribuição dos continentes ou das terras emersas e dos oceanos, consequentemente das linhas de costa ou “franjas” oceânicas, é muito diferente nos dois hemisférios, sendo decisivo para as áreas onde encontramos este ecossistema. Seja como for, os limites superiores e inferiores desta extensão são determinados pela temperatura, embora a precipitação atmosférica e o nível de protecção do vento e da energia das ondas, sejam factores que afectam a extensão desta floresta e a sua diversidade.

Os mangais ocorrem mais frequentemente em áreas onde a temperatura média do mês mais frio é superior a 20ºC e onde a variação entre as estações não excede os 10ºC. Temperaturas inferiores limitam a distribuição deste ecossistema, uma vez que impossibilitam o seu aparecimento e desenvolvimento.

As áreas onde encontramos uma grande variedade de espécies de “mangais” são ao longo de linhas de costa que recebem uma elevada precipitação e elevado escoamento de águas, relacionando-se com a desembocadura dos rios e com uma forte infiltração vinda de terras mais interiores para as áreas sob a influência das marés. Estas áreas habitualmente estão sujeitas a um processo de forte sedimentação, proporcionam uma vasta diversidade de tipos de substrato, bem como de níveis de nutrientes, que transformam estas áreas em meios físicos, químicos e biológicos muito favoráveis para o crescimento do “mangal”.

A estrutura física desta floresta requer a protecção de ventos fortes, uma vez que a acção do vento gera ondas e estas impedem a fixação, o estabelecimento e o desenvolvimento das sementes. Em consequência disto, as comunidades de mangais desenvolvem-se dentro de áreas costeiras abrigadas, circundantes a estuários muito recortados, baías e ilhas ao longo das costas, em águas de pouca profundidade, que podem estar e protegidas por recifes.

Imagem: Áreas mais propensas a Mangais

 

 
   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1.4 Fisiologia (a regulação do sal)

Os mangais são fisiologicamente tolerantes aos elevados níveis de sal e têm mecanismos para conseguir obter água doce, apesar do forte potencial osmótico dos sedimentos. Evitam quantidades abundantes de sal através de uma combinação de exclusão e de excreção de sal e de, acumulação de sal. Por exemplo, a Rhizophora, a Bruguiera e a Ceriops possuem filtros muito eficientes nos seus sistemas de raízes. Outros géneros como a Avicennia, a Acanthus e a Aegiceras, absorvem algum sal, mas excretam-no através de glândulas especializadas para isso, que têm nas suas folhas.

À medida que a salinidade da água aumenta, algumas espécies tornam-se simplesmente mais moderadas na sua utilização da água, conseguindo deste modo, uma maior tolerância. No sul da Florida, a Rhizophora mangle, Mangue Vermelho, diminui a sua tensão ao sal ao usar a superfície da água como a sua única fonte de água.

Na estação húmida, a biomassa de raízes finas aumenta a resposta à salinidade decrescente da superfície das águas elevando directamente a absorção de água com baixa salinidade. A maioria das espécies de mangais regula directamente os sais. Todavia, elas podem também acumular ou sintetizar outras substâncias dissolvidas para regular e manter o equilíbrio osmótico.

Uma vez que as raízes dos manguesmangais excluem os sais quando extraem água do solo, os sais no solo poderiam tornar-se muito concentrados, criando gradientes osmóticos fortes. No entanto, substâncias poliméricas viscosas na seiva, limitam a razão do fluxo e diminuem a transpiração. Isto, combinado com uma elevada eficiência no uso da água, reduz a velocidade de ascensão da água e impede os sais de se acumularem no solo em redor das raízes, isto o que ajuda os mangais a conservarem a água e a regularem as concentrações internas de sal.

1.5 A fauna deste ecossistema

A fauna existente neste ecossistema é muito variada e em grande quantidade, desde os animais que vivem no mangal, toda a sua vida, aos que se reproduzem neste habitat e aqui vivem desde o nascimento e nas suas fases juvenis, até aos animais que apenas procuram o mangal para se alimentarem ou para encontrar refúgio, em virtude de os seus habitats estarem em fragmentação e em desaparecimento acelerados.

Segundo KATHIRESAN & BINGHAM (2001:47) Os animais do mangal são de todas as variedades, o zooplâncton, as esponjas e ascídia, os caranguejos, camarões e muitos outros crustáceos, os moluscos, os insectos, como é evidente, os peixes e, ainda, os anfíbios, as aves e os mamíferos.

Desta forma será obrigatório falar de animais muito maiores, mais conhecidos, mais “importantes” e até mais bonitos do que o Perioftalmo, mas não se pode falar do mangal sem referir este pequeno peixe. E porquê o Perioftalmo (mais conhecido por Saltador-da-Lama)? É que este pequeno peixe encerra na sua biologia e no seu comportamento a “essência” do mangal.

Não foram apenas as árvores e outros vegetais do mangal que fizeram adaptações fantásticas para conseguirem colonizar este meio ambiente, o pequeno Perioftalmo também as fez: este peixe vive na água e vive.

Os Saltadores-da-Lama são peixes completamente anfíbios e estão perfeitamente adaptados ao solo pantanoso do habitat de “entre” as marés. Sobrevivem na maré baixa escondendo-se ou permanecendo em poças de água, debaixo de algas ou mesmo enterrando-se no lodo, o que os ajuda a manterem-se húmidos e a escaparem aos predadores. Todavia são tão activos dentro como fora de água, uma vez que têm adaptações anatómica e fisiológicas que lhes permitem estar tão à vontade num meio como no outro.

Estes peixes conseguem respirar através da pele, tal como os anfíbios, e através da mucosa do interior da boca e da garganta, da faringe. Têm ainda as câmaras branquiais muito alargadas e, quando o peixe se encontra fora da água, mantém os opérculos fechados com água dentro destas câmaras que são muito vascularizadas, o que lhe permite continuar a respirar e a manter-se fora de água. Caça e alimenta-se fora de água e até luta com os seus semelhantes por território também fora de água e isto porque, para além de conseguir respirar fora de água, também se consegue movimentar com facilidade.

 

 

Capitulo: II. Ecossistema do mangal no canal de Chiveve

2. Localização física geográfica da área em estudo

A região em estudo encontra-se no Bairro da Ponta-Gêa (Goto), no Canal de Chiveve, no Posto Administrativo Urbano De Chiveve, no Distrito da Beira, província de Sofala. Limita-se a Norte Mercado do Goto, a sul Campo de Golfe, a Este as futuras Instalações da SPIC e a Oeste Escolinha do Golfe.

2.1 Condições Geológicas

Enquadra-se geologicamente no fanerozóico, constituído predominantemente por sedimentos de pos Karroo, que compreende depósitos aluvionares, argilosos e fluvio-marinhos, arenosos, argilosos-arenosos com vastas planícies aluvionares recentes e dunas costeiras compostas por sedimentos do quaternário.

2.2 Geomorfológia

Geomorfológicamente a Cidade da Beira, situa-se numa região de extensa planície de idade recente, resultante de sucessivas fases de acumulação de sedimentos plestocenico e holocénico. O relevo é baixo, com altitude que se situa entre 6 e 20 m e um declive médio de cerca de 1º cujo pendor suave continua ao nível batemetrico até aos limites da plataforma continental. (Muchangos, 1989:242).

2.3 Clima

A região em estudo, é caracterizado por um clima tropical chuvoso, sendo identificado por AW na classificação do Koppen.      

2.4 Temperatura

A temperatura média anual é da ordem do 24,5º C. O mês mais quente são os de Janeiros, Fevereiro, Março, Novembro e Dezembro que apresentam temperaturas que variam entre 26,2 e 27,8º C; o mês mais frio é o de Julho que apresenta o mínimo médio de 21º C.

 

2.5 Humidade

A humidade relativa do ar na cidade da Beira em particular na área de estudo apresenta poucas variações entre 69,2 e 74,6%. A média anual é de 72,1%, sendo os meses de Fevereiro e Julho os que apresentam valores de humidade acima dos 73% em quanto que os meses de Setembro e Outubro são os que apresentam valores inferiores a 70%.

2.6 Condições Pedológicas

A cidade da beira e arredores, pedológicamente perecem a zonas de solos “fluviais de altas fertilidades, de difícil lavoura em parte; eventual excesso de agua e ou salinidade” (Atla Geográfico Vol. 1; 1986:13).

A sua maior parte é constituída por sedimentos aluvionares, marinhos e fluviais de idade recente e de grandes espessuras, que estão condicionados ao relevo plano com pequenas depressões, que permitem a acumulação de água. Ao longo do canal de Chiveve, desenvolvem-se solos aluvionares salobros devido a influência dos mares. São solos argilosos finos lodosos, inconsistentes e salinos. Sem nenhuma utilidade para a prática de agricultura, mais permite o desenvolvimento de fauna e flora marinha. (Muchangos, 1989:249).

2.7 Aspectos Biogeograficos da região de estudo  

Nesta área de estudo encontramos várias espécies e dentre elas espécies floristicas e faunisticas e como nos preocupamos com a floristica que é o mangal, com uma elevada importância ecológica e económica. As espécies que se encontram na região são: a Rhizophora (mangal vermelho); Avicennia marinha (mangal branco).

Imagem de mangal

 

Fonte: autor

O mangal constitui um habitat preferencial para o desenvolvimento de espécies faunísticas que encontram neste local ambiente calmo longe da agitação marítima, pois o mangal quebra a acção violenta das o ondas e é importante do ponto de vista ecológico, porque ajuda na fixação dos solos costeiros protege-os contra a erosão; e, no ponto de vista económico e social é muito útil na construção, no fabrico de tintas e, é usado pelas comunidades locais para atingir as redes de pescas e algumas espécies de mangal são usadas no campo terapêutico.

O desenvolvimento do mangal nesta região, cria condições favoráveis para a abundância de espécies faunísticas que procuram neste habitat natural, alimento e abrigo. É de notar que este local apresenta um ambiente mais calmo, longe de agitação das ondas marítimas, razão pela qual algumas espécies tem no como ideal para a sua produção.

Distinguem-se diversas espécies que podem ser divididas em três grupos distintos:

a)      Espécies terrestres: que vivem fora da água, sem o contacto com ela ou então pouco ou ocasional. Neste grupo constata-se: pássaros, mamíferos dentre outras espécies;

b)      Espécies marinhas que vivem completamente na água e nunca o abandonam. Encontram-se neste grupo, peixes crustáceos, etc.

Entre os peixes, destacam-se: Hilsa kalee (Magumba), cociela crocodila (sapateiro), e entre os crustáceos destacam-se: o caranguejo, etc.

c)      Espécies que vivem nos dois ambientes (anfíbios), sapo, caranguejo, salamandra, especialmente na área coberta por mangal, delimitada pelas marés, encontram-se muitas espécies principalmente os de pequenas dimensões.

2.8 Importância ecológica e económica do mangal

Os cientistas, ao longo do tempo, foram colocando um grande valor na função ecológica dos ecossistemas dos “mangais” mas, apenas recentemente, a comunidade de uma forma mais ampla, começa a reconhecer o papel multifacetado que a floresta de mangal desempenha no ambiente. Quando se avalia a importância destes ecossistemas através de uma perspectiva científica é necessário tentar identificar e medir estes valores. Notavelmente, estes valores podem ser divididos em valores ecológicos, valores para a comunidade e valores económicos.

A partir de uma perspectiva ecológica, os “mangais” são um ecossistema muito significativo e único. Sustentam uma grande diversidade de plantas, árvores como as palmeiras, arbustos e fetos que desenvolveram adaptações espectaculares para prevalecerem e prosperarem nestas condições ambientais. São utilizados por uma enorme quantidade de organismos como área de reprodução, como viveiro e ainda como área de alimentação. Os mangais desempenham um papel muito valioso na protecção da linha de costa, reduzindo a erosão provocada pelos ciclones e atenuando o impacto das ondulações.

A produtividade é um conceito usado para descrever a função ou o valor ecológico de uma comunidade de vegetação e pode ser calculada através de medições da quantidade de material vivo ou orgânico, tal como folhas, ramos, troncos e raízes, que é produzida neste ecossistema num determinado espaço de tempo.

A produtividade do mangal é muito importante na função e na saúde da cadeia alimentar marinha. Tal como as outras plantas, convertem a energia do sol em matéria orgânica através do processo da fotossíntese. Quando os ramos e as folhas caem no solo são aproveitadas por uma grande variedade de animais, tal como moluscos, crustáceos e vermes, como uma fonte primária de alimento.

Estes consumidores de “nível primário” por sua vez vão sustentar uma enorme quantidade e variedade de consumidores “secundários”, onde se incluem peixes pequenos e predadores jovens, alguns dos quais, quando crescem e se tornam adultos, vão incorporar o terceiro nível de consumidores. De um modo geral, um nível elevado de matéria orgânica ou uma produtividade elevada significa que um número maior e um leque mais diversificado de animais, podem ser sustentados dentro de um ecossistema particular.

2.9 O mangal o ecossistema em perigo: pressão antrópica

Os mangais são áreas protegidas por legislação, mas isso não impede a sua degradação e destruição. As agressões aos mangais colocam em risco a sobrevivência de espécies animais e vegetais deste Bioma e todas as que nele passam e nidificam, e que são quase todas.

A desflorestação que tem acontecido por todas estas áreas e a intensificação da urbanização nas zonas e faixas litorais sobrevalorizou estes espaços devido à sua proximidade dos centros urbanos e ao seu potencial económico e turístico, neste caso vimos a expansão do bairro da Ponta-Gêa, Vulgo Goto destruindo sucessivamente o ecossistema de Mangal.

As pessoas que vivem nas margens do canal de Chiveve, através de entulhamento, construção de moradias nestes ecossistemas têm, em conjunto, sido as principais causas do seu desaparecimento e degradação. Mas estas não são as únicas.

2.10 Cuidados de preservação do ecossistema do mangal

Para um desenvolvimento que se quer sustentável, é necessário existir uma manutenção destes e doutros recursos naturais.Para isso, esta floresta precisa de ser restaurada, através da plantação das espécies de mangais características de cada habitat.

Devem ser reduzidas e mesmo eliminadas as descargas de materiais poluentes contaminantes e contaminados, mesmo os que têm origem no oceano.

ü  Restaurar esta floresta através da plantação das espécies de mangais de cada habitat;

ü  Reduzir progressivamente as descargas de sedimentos contaminados e de nutrientes; químicos e orgânicos poluentes para o seio desta floresta com origem em terra mas também no oceano como as marés negras;

ü  Proteger e conservar todas as florestas de mangal actualmente existentes;

 

 

 

 

2.10.1 Conclusão

No ecossistema os organismos estão em constante interdependência entre si para a reciclagem de matérias e a energia fluem através deles. Um ecossistema é um sistema de organismos vivos e do meio com o qual trocam matéria e energia. Num ecossistema existem duas ordens de factores: bióticos e abióticos. Os Mangais são conjuntos de árvores e plantas diversas desde as árvores terrestres e plantas marinhas.

A estrutura física desta floresta requer a protecção de ventos fortes, uma vez que a acção do vento gera ondas e estas impedem a fixação, o estabelecimento e o desenvolvimento das sementes. A fauna existente neste ecossistema é muito variada e em grande quantidade, desde os animais que vivem no mangal. Porem o mangal está em perigo devido as acções humanas como a desflorestação e a urbanização ao longo das margens do canal do Chiveve.

Contudo para uma maior protecção deste ambiente é necessário que exista uma manutenção destes e doutros recursos naturais.Para isso, esta floresta precisa de ser restaurada, através da plantação das espécies de mangais características de cada habitat.

 

 

Bibliografia

CANAVILHAS, João. O novo ecossistema mediático. São Paulo: 2006.

KATHIRESAN K. e BINGHAM B.L., Biology of Mangroves and Mangrove Ecosystems, in: Advances In Marine Biology Vol 40: 81-251 (2001), Bellingham, WA 98225, USA, 2001.

LEHNINGER, A. L. A lógica molecular dos organismos vivos. In: Bioquímica. Edgard Blücher, São Paulo, 1977.

MINED, Atlas Geográfico, 1º vol. 2ª Edição revista actualizada. Maputo, 1986

MUCHANGOS, Aniceto Dos. Boletim do Arquivo histórico de Moçambique-Cidade da Beira. Maputo, 1989

PEREIRA, Ana Ramos. Análise de ambiente físico: mangal – floresta de maré. 2005.

www.ac.wwu.edu/~bingham/mangroves.pdf

publicado por malua7rcbm às 11:55
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Agosto 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30



.posts recentes

. COMERCIO INTERNACIONAL

. MANIFESTO ELEITORAL

. Historiografia Africana

. classificação da imagem e...

. Perspectivas do Pensament...

. DIDACTICA - METODOS DE EN...

. Teorias de opressão de gé...

. Ecossistema de mangal no...

. Crescimento Social

. educacao bancaria e pedag...

.arquivos

. Agosto 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds