Sexta-feira, 7 de Março de 2014

ETNOLOGIA DOS POVOS AFRICANOS--NDAU

AUTORES:

MALUA, Rajabo Caetano Bernardo

MAUGENTE, Joao Marcos

NOTICE, Tiago Raimundo

ERNEIO, Sitifano Faustino

MANUEL, Lizete Joaquim

MUANDISSINAR, Davide

 

Introdução

O presente trabalho, visa abordar etnologia do povo africano em geral e particularmente do povo Ndau. Visto que apartar da etnografia, a etnologia estuda todos os factos documentados no sentido antropológico cultural e social, isto é, compara as culturas estudadas pela etnografia.

Basicamente, a etnologia era compreendida como o estudo das sociedades primitivas; actualmente é considerada um estudo das características de uma etnia (grupos humanos). O trabalho está divido em dois Capítulos. O termo povo africano tratam de referir a pessoas que vivem na África ou a pessoas que traçam a sua ascendência a habitantes Naturais da África, falaremos das suas práticas culturais, sua organização social. Ndau são um grupo éticos que habitam o vale do Zambeze, do centro de Moçambique ate ao seu litoral, e leste do Zimbabwe.

Objectivos

 

Gerail:

 Descrever a etnologia do povo Africano, Ndau.

 

Específicos:

 Definir os conceitos Etnologia, Povos, Ritos, Tribo, Mito, Cultura;

 Localizar África;

 Localizar região do povo Ndau.

 

Metodologias

Para a materialização do presente trabalho, efectuou-se a pesquisa Bibliográfica e a consulta na internet.

 

 

 

ETNOLOGIA DOS POVOS AFRICANOS, NDAU

 

Conceitualização

Cultura

 

Segundo Tylor, Pai da Antropologia Moderna (1871) Cultura – conjunto complexo que envolve conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes e varias outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade;

 

Ou é um conjunto de actividades e modo de agir, costumes e instruções de um povo, ou meio pela qual o homem se adapta as condições de existência transformando a realidade.

 

Mitos

Segundo Mircea Eliade – uma história exemplar que tem por fim estabelecer normas para comportamento humano.

 

Para K. Marx – é uma alienação, uma projecção; ou São narrativas utilizados pelos povos gregos antigos para explicar factos da realidade e fenómenos da natureza.

 

Povo

conjunto de cidadãos de um pais ou seja, as pessoas que estão vinculadas a um determinado regime jurídico, a um estado.

 

Rito

é um conjunto de cerimónias religiosas diferentemente reguladas, segundo as diversas comunhões ou em diversas sociedades.

 

Tribo

é o nome que - se dá a cada uma das divisões dos povos antigos, possuindo um território e com algum tipo de comando, possuindo em comum a mesma ancestralidade.

Etnologia

é o estudo ou ciência que estuda os factos ou documentos levantados pela etnografia no âmbito da antropologia cultural e social, buscando uma apreciação analítica e comparativa das culturas.

 

Em sua interpretação original, era o estudo das sociedades primitivas, todavia, com o desenvolvimento da antropologia, o termo primitivo, foi abandonado por se acreditar que exaltaria o preconceito étnico.

 

Assim actualmente se diz que etnologia é o estudo de características de qualquer etnia, isto é, agrupamento Humano- povo ou grupo social que apresenta alguma estrutura sócio económica identificável, onde em geral os membros têm interacções cara a cara, e há uma comunhão de cultura e de língua.

 

Este estudo visa estabelecer linhas gerais e de desenvolvimento das sociedades. O etnógrafo observa as diferenças entre as sociedades desde o modo de andar e usa o corpo (técnicas corporais) até a celebração do casamento e dos funerais. Deve se analisar toda a vida social de um povo e um lugar, observar principalmente o que esse povo diz de si mesmo, e o modo como identifica seus participantes.

 

Etnografia é um dos mais importante recursos contra o racismo e hegemonia cultural na medida em que estabelece os meios de realizar uma critica ao etnocentrismo o que parcializa as investigações.

 

Estudos etnográficos têm recuperado os conhecimentos e técnicas dos povos agrafos como forma de (etno) conhecimento nas mais diversas áreas, como:

- Biologia (etnobiologia), Farmacologia, e Botânica (plantas medicinais) Engenharia (de barcos, casas, pontes etc), Psicologia, Medicina etc.

 

Nesse último campo há uma integração entre técnicas (tecne) e saber (epsteme) que vem sendo denominada por antropologia médica ou estudo de sistema etnomédicos e xamanismo.

 

 

CAPITULO I: Etnologia dos Povos Africanos

 

Localização Geográfica do Continente Africano

 

Com cerca de 30 milhões de km², o que equivale a pouco mais de 22% de terras emersas do globo, é a terceira maior massa continental do nosso planeta.

 

A maior parte do continente localiza-se na zona tropical, pois, o trópico de câncer corta-o na porção setentrional (norte) e o Capricórnio, na porção meridional (sul).

 

O tipo de relevo predominante é planalto, as áreas de planícies são de pouca extensão e localizam-se ao longo da costa. Predominam os climas quentes.

 

Tem uma costa baixa e arenosa, interrompida raramente por escarpas e pouco recortada, por isso diz-se que é um Continente maciço. As reentrâncias dignas de realce são o golfo de Guiné, o do Sitre e a baia de Sofala. Madagáscar é a maior ilha de África, situa-se no oceano Indico.

Com mais de 800 milhões de habitantes, tem menos de 15% da população mundial.

Contudo, em virtude de alta taxa de natalidade existente no continente africano (é uma das mais elevadas do mundo, assim como a de mortalidade).

 

Composição da população e religiões

 

África é um continente de grande diversidade étnica, cultural e linguística.

Foi o primeiro continente a ser habitado, com os povos denominados Berberes e Bantu uns dos primeiros grupos Humanos.

 

A porção do território Africano localizada ao norte de deserto de Saara, é denominada África Branca, onde predominam:

• Os árabes, que conquistaram a África do Norte no século VII e se fixaram no Egipto, Tunísia, Líbia e leste de Argélia;

• Os berberes, constituem os povos mais antigos do Magreb, formando a maior parte da população do Marrocos e das regiões montanhosas da Argélia; entre estes destacam-se os Tuaregues, povos nómados que vivem no deserto.

Os dois grupos citados professam principalmente a religião Muçulmana.

 

A população do sul de deserto de Saara é denominada África Negra pois, é ai que predominam Negros, que constituem uma variedade grande de povos. Falam mais de uma centena de línguas diferentes e mais de 700 dialectos, ao lado das línguas introduzidas pelos colonizadores, como o Francês, o Inglês e o Português.

Seguem o animismo, isto é, crenças em espíritos ou em forcas invisíveis que-se manifestam em todos os actos da vida. Contudo praticam também o cristianismo, introduzido na África pelo colonizador.

Outros grupos Negros são muçulmanos, principalmente os Sudaneses.

 

Agrupamento dos povos Negros

 

• Sudaneses – habitam a África ocidental e já sabiam utilizar a terra e utilizar o ferro, antes da chegada do europeu;

 

• Bantos – constituem o grupo mais numeroso e ocupam a maior parte de África (região equatorial e sul);

• Nilóticos – habitam a região do alto Nilo e se distinguem pela altura;

• Hotentotes – habitam da África do sul, que se dedicam a criação de gado nómada;

• Bosquimanos – habitam as estepes espinhosas das proximidades de deserto de kalaari, onde vivem da colecta e da caça;

• Pigmeus – possuem pequenas estaturas, habitam a floresta equatorial e vivem um nível de vida primitivo.

 

Os povos do continente africano, costumam usar trajes, pinturas corporais, tecidos e adornos, conforme a identidade do seu devido grupo.

 

Geralmente as pinturas são usadas em cerimónias, para enfeitar o corpo ou para exibir estilo da sua

Tribo, todas as pinturas tem um significado diferente. África abriga diversas tribos e grupos étnicos. O Continente possui mais de 20 grupos diferentes. Cada um desses grupos e dessas Tribos, que podem ser formados por centenas, milhares ou até milhões de pessoas, possuem sua própria cultura, tradições e costumes.

Esses costumes e tradições chamam atenção por serem em muitos casos curiosos, engraçados, esquisitos, chocantes ou polémicos, como por exemplo:

 

Tribo Surma

 

Este tribo é composto por um povo isolado no sudoeste da Etiópia e suas mulheres tem como costume o uso de disco de madeira em seus lábios inferiores, em ocasiões festivas também costumam pintar seus corpos.

O tamanho do disco é proporcional a grandeza do dote (bens ou dinheiro dados a Mulher que casa) que a família da noiva pode pagar ao noivo. Elas só podem tirar o disco quando não há homens por perto. Para essa tribo, quanto maior o disco, mais bonita e rica é a mulher.

 

Tribo de Ndebele

 

A Ndebele fica em Lesedi na África, as Mulheres que a habitam usam pesadas argolas de metais no pescoço, pernas, e braços, depois que casam. Segundo elas as argolas servem para não fugirem de seus maridos e nem olharem para o lado.

 

Tribo de Nigéria

 

Em algumas regiões de Nigéria, as Mulheres fazem escarificações no corpo, marcas feitas com cortes na pele, que representam fases importantes em suas vidas. Quando cicatrizam, os cortes ficam parecidos com uma renda. Como elas não usam roupas, as cicatrizes também são estéticas e símbolo de beleza.

As marcas começam a ser feitas a partir dos 5 anos de idade, em partes específicas do corpo, obedecendo uma sequência. As jovens só são consideradas adultas e aptas para o casamento quando toda a sequência de desenho estiverem completas.

 

Função de Mito para os Africanos

 

O povo africano tem uma das mais antigas manifestações do pensamento humano tentando ditar valores e conceitos sobre o pensamento humano, e a submissão aos seus Deuses. Também há crenças e as praticas rituais:

- Um estagio infimamente mais complexo e que pede obras de natureza.

 

 

CAPITULO II:

Origem e a etnologia do povo Ndau

 

As origens do povo Ndau não são fáceis de traçar devido a escassez de fontes e as contradições existentes. Contudo, parece seguro afirmar que as origens do grupo se encontram ligadas é fragmentação dos reinos do Muenemutapa e Dom Pire aos ciclos expansionistas de grupos linhageiros Shonas-Caraga, os Rozvi, dos planaltos centrais do Zimbabwe na direcção da costa litoral do indico.

 

A organização Social Tradicional Ndau

 

Os Ndau são um grupo éticos que habitam o vale do Zambeze, do centro de Moçambique ate ao seu litoral, e leste do Zimbabwe ao sul do Mutare.

 

Os ancestrais dos Ndaus eram guerreiros da Suazilândia que se juntaram com a população local, constituída etnicamente por Manikas, Tewes, Barwes nas províncias de Manica e Sofala. A população local do Zimbabwe, antes da chegada dos Nguni, descenderia primordialmente de Mbire próxima actual Hwadza.

 

Os ndaus falam um idioma que pertencem a família linguística xona, o ndau.

 

Localização Geográfica e Número de Falantes da língua Ndau

 

A língua Ndau é falada nas províncias de Sofala, Manica e na zona Setentrional de Inhambane. Também é falado na República de Zimbabwe.

Segundo Martinho (2004) o povo Ndau localiza-se na região sul do continente africano na região central de Moçambique, pois, na província de Sofala encontram se mais aglomerados nos distritos de Chibabava, Buzi, Machanga, Gorongosa, Nhamantada, cidade da Beira, Dondo.

 

Na província de Manica estão nos distritos de Machazi, Mussorizi e na Cidade de Chimoio e parte setentrional da província de Inhambane vão desde de Machacama à Mambone.

Quanto ao número de falantes é de referir que: há cerca de 581.000 falantes de Ndau em Moçambique segundo os dados do Censo populacional de 1997.

 

Estabelecimento da variante de referência

 

O Ndau apresenta variações regionais na pronúncia.

Por exemplo, no litoral (Mussorisze e Machaze) em certas palavras abrandam o R para l, ao contrário dos do interior ( Buzi).

 

Segundo a classificação de (Guthrie 1997) a língua tem as seguintes variantes:

 

Cimachanga, falado no Distrito de Machanga, Buzi, em Sofala e, no Distrito de Mambone, em Inhambane. A variante Cimashanga tem Subdialectos Cibwani e Cibhara, ambos falados no distrito de Buzi;

Cidanda falado no distrito de Machazi; Cigova falado no distrito de Buzi; Cidondo falado de Chibambava e de Buzi; Cibangwe, falado na cidade da Beira; Ciqwaka, falado em Gorongosa por uma comunidade localizada na Serra; Cinayai, falanda na direita da margem do rio Save deste de Machacame ate Mambone; Cindau falando no distrito de Mussurize e em Chimoio, na província de Manica.

 

Segundo keith, (19870) é comuns os Ndaus traçarem a sua origem na região do Mbire, existia nesta região, nos século XVII/XVI com pequeno reino que esteve ligado ao grande reino de Muenemutapa mais que se teria tornado independente.

 

O reino de Quiteve surge igualmente nos finais do século XV representa mais uma cisão no reino de Muenemutapa. Este reino veio assumir uma certa importância sobretudo o século XVII em virtude do interesse dos mercadores árabes e portugueses no comércio de marfim e ouro. Quiteve controlava uma vasta região, deste o planalto central da zona do chimoio ate as terras baixas do Buzi perto de Sofala.

O reino Quiteve viria perder esta importância a partir do século XVIII, em parte devido as constantes lutas internas entre os membros da família real, mas também em virtude do desinteresse dos árabes e dos portugueses, quando se aperceberam que a exploração mineira não era atractiva, o declínio de Sofala está intimamente relacionado com o declínio do reino de Quiteve.

 

A organização sócio -politica Tradicional

 

Os primeiros estudos aprofundados e de carácter sistemático sobre esta população, conhecido por etnónimo Ndau, só seriam efectuados na primeira metade do Século XX.

 

São vários os autores que postulam que o nome Ndau foi atribuídas a estes populações pelos invasores Nguni e deriva da observação da forma de saudação costumeira perante um rei Chefe, ou mesmo um estrangeiro desta e populações Ndau, que é a de se sentar no chão, ou ajoelharem, e bater as palmas gritando “Ndau ui ui, Ndau ui ui” (Junod, 1934,Rita Ferreira, 1982).

 

Esta forma tradicional de saudação foi descrita pela primeira vez por Frei João dos Santos na sua obra ethiopia oriental, de 1609. Não é claro, a partir de que fonte este autor retirou esta informação ou se ela não passa de especulação; contudo, é certo que esta concepção sobre a origem do etnónimo Ndau esta na actualidade amplamente enraizada e aceite por estas populações.

 

Segundo Vijfhuizen (1998) o termo Ndau significaria literalmente, “lugar” associado a uma forma tradicional de saudação.

No entanto, segundo esta autora o termo Ndau já teria utilizado muito antes da chegada dos europeus, informação essa que a autora retira da obra de Rennie Keith (1987).

 

Os diferentes estudos elaborados sobre os Ndau apresentam uma estrutura social bastante homogénea para o conjunto das populações desde a fronteira com o Zimbabwe ao litoral do indico.

 

Divisões dos grupos Ndau

 

1. Os Shangas: estes habitam principalmente a faixa costeira entre os rios Save e Buzi e cujo o clã totémico principal, é o Simango. Simango foi o Mambo mais poderoso desta região, vivia em Chiloane.

 

2. Os gova, que habitam as terras baixas situadas entre os rios Buzi e Save , cujo o mutupu o mais importante é o Nkomo.

 

3. Os Danda, que habitam a região fronteira ao Zimbabwe e cujo mutupu principal e igualmente o Nkomo.

 

4. Os Tombodji, que habitam as terras altas do maciço central, junto da fronteira, entre o rio Save e o maciço chiamanimani. O mambo mais importante dos tombodji era o mutema nkomo, que vivia numa região do actual zimbabwe.

 

5. Os Teve, ligados ao reino de Quiteve (Junod 1934), no entanto,é bastante problemático

considerar os teve um subgrupo Ndau. Apesar terem origens comuns, parece ser grupos diferentes, com aspectos da sua organização social que são distintos, com diferenças linguísticas, significativas.

 

Ritos de Iniciação

 

Ritos de iniciação são cerimónias de carácter tradicional e cultural praticado nas sociedades africanas que visa preparar o adolescente para encarar a outra fase da vida, isto é, a fase adulta.

Visam essencialmente a integração pessoal, social e cultural do indivíduo, permite ao indivíduo reunir múltiplas influências do seu meio para em seguida integrá-la na sua maneira de pensar, de agir e de si comportar, o indivíduo participa activamente nas actividades e na vida do grupo que pertence.

 

Na sociedade moçambicana, os ritos de iniciação não se manifestam de maneira homogénica. Eles variam de província para província, de região para região, de religião para religião, e de sexo para sexo.

O objectivo destas cerimónias é de preparar os rapazes e as raparigas para a vida matrimonial e social e com o rito de iniciação os rapazes e as raparigas têm o acesso a participação e ao conhecimento de certos mistérios.

 

Descrição de algumas Cerimónias

 

Fase de Menstruação

 

Quando a mãe descobre na filha os sinais de menstruação ou tende certificar-se bem da verdade se é real a suposição. Acordam a menina e esta, por tudo ter sido preparado em segredo, assusta-se. Mandam-na pôr de pé e molham-na toda três ou 4 vezes. Depois tiram-lhe toda a roupa para só lhe colocar uma pequena tira de pano que -lhe passa por entre as pernas.

 

Todas as mulheres se sentam, a madrinha senta-se no meio delas, estende as pernas e manda sentar a rapariga com a cabeça levantada e encostada a si.

 

Nesta atitude começam a cantar, explicando a rapariga que não tenha medo que aquela doença é normal; dão-lhes norma de higiene e ensinam-lhe como ela deve fazer acto sexual com o seu homem. A madrinha vai lhe explicando tudo com gesto no corpo.

Seguidamente uma Tia ou Prima levanta a rapariga, prende-lhe as pernas agarram-lhe os braços, deita a por terra e cai sobre ela. Levanta-a, agarram-lhe pelo corpo e atira-a de novo ao chão com toda a forca. Isto repete-se várias vez as vezes seguidas para que a menina pague e sofra desta maneira pelo mal que fez com as suas maldades passadas.

 

Vestem-lhe um pano grande que a cobre totalmente e obrigam a ficar uma semana inteira dentro de casa sem tomar banho.

Durante este período de tempo deve abster-se de comer certas comidas e não pode provar alimento com sal.

Passada a semana, a madrinha vem-lhe dar banho e dão-lhe também licença para sair fora de casa. Contraem-lhe uma palhota ao lado da casa e ela não se pode ausentar daqui sem licença da mãe, nem ver homens ou mulher casados, nem o noivo.

 

Quando depara com alguém deve cobrir-se e, ordinariamente, anda acompanhada de uma criança para a avisar da proximidade das pessoas.

Esta temporada pode demorar 2 meses ou ate mais de 1 ano conforme a dificuldade que a família encontrar em arranjar dinheiro para acabar a festa.

 

Depois reúnem-se as mulheres nuas batucam, todo o dia e todo a noite ensinando a rapariga a dançar são severas e rigorosas nestes exercícios e se a rapariga não sabe ou lhe custa aprender alem dos castigos que sofre, é uma grande vergonha para a mãe.

Durante a noite chegam os rapazes cerimoniados e os homens casados. Vem todos para ouvir os conselhos dado a rapariga, administrado em estilo de advinha ou representadas ao vivo por figuras alegóricas.

 

Tudo isso é cantado ao som de dois bambus postos em paralelos onde todos podem tocar. Todas estas advinham, que aparentemente nos parecem inocentes e desprovidas de qualquer sentido com a vida matrimonial.

Mathunya/Mathindji

 

É a dilatação dos pequenos lábios do aparelho sexual feminino. A rapariga, desta tenra idade, é levada pela mãe ao mato, para lhe ensinar a fazer esta operação que ela depois repetira todos os dias, até no casamento. Chegam a delata-los tanto que conseguem dar-lhe um nó mas se a mulher exagerar esta operação, os homens não a querem, por ela ter alargado demasiado e não lhes causar prazer sexual.

 

É este um costume social, hoje os rapazes estão já em não se importarem com o assunto, mas é frequente encontrar raparigas que não arranjam casamento ou são abandonadas e difamadas por não terem isso.

O seu fim é alargar a entrada da vagina para facilitar o acto sexual. Na sua ostentação sente o homem prazer. Quando ele esta triste ou cansado, no fim de um dia de trabalho, ou de uma viagem a mulher despe-se para lhe mostrar isso e assim lhe dar alegria.

 

Casamento dos Ndau

 

Os Ndau estão organizados em grandes unidades sociais, com base no sistema de descendência patrilinear. As unidades mais vastas são os grupos familiares mais extensos, clãs totémicos, designados por bvumbu ou dzinza, em que o totem é designado por mutupu.

Os Ndau praticam o casamento exogamico entre bvumbu, pois”as pessoas não podem casar dentro do mesmo mutupu”. No entanto, actualmente, esta regra é frequentemente desrespeitada, sobre tudo entre a população mais urbanizada das vilas-sede de distrito, e casamento entre indivíduos com o mesmo mutupu, ou pertencendo ao mesmo bvumbu.

 

No que respeita ao casamento Ndau, este é oficializado quando evolve o pagamento do lobolo. Denominado kulola em Cindau, que actualmente consiste numa quantia monetária que pode variar entre 1 e 1.5 mil de mts, enquanto na época pré-colonial consistia maioritariamente em capulanas.

 

No período pré-colonial, os Ndau praticavam também uma forma de casamento directo, que não implicava o uso do lobolo.

Exemplo: Quando alguém pretendesse uma mulher levava a sua filha para fazer tipo troca. Deixava a sua filha e levava a filha do outro como esposa. Isto por falta de dinheiro.

 

Ou no casamento a forma predominate de residência e a de virilocal; contudo, ocasionalmente, era possível optar por uma forma uxorilocal temporário, ou seja, quando um homem não podia lobolar uma mulher prestava serviços durante um tempo em casa dos sogros antes de constituírem o seu agregado familiar nas terras do pai, costume que ainda hoje e praticado.

Os ndau praticam ainda hoje o levirato, ou seja, um homem pode tomar a (s) esposa (s) e filhos do seu falecido irmão.

 

O lugar Social dos Espíritos

Seres Espirituais

 

Segundo Martinez (2007), através da actividade religiosa a sociedade exprime o seu relacionamento com o mundo espiritual: com o transcendente, o ser supremo, com os restantes seres espirituais e com as forcas invisíveis. De facto há um ser supremo, cuja existência é reconhecida universalmente, apesar das formas e ideologias até hoje existentes no mundo o ser supremo nunca é confundido com os seres espirituais e entre todos eles dá-se sempre uma determinada hierarquização. Sem eles não haveria ritos, pois é a eles que os ritos são dirigidos.

 

Um dos aspectos mais relevantes no processo de sucessão é a inuciação da consulta aos espíritos dos falecidos mambos, como, de resto, acontecem na maioria dos grupos de origem Shona (Land, 1987).

Neste sentido, torna se necessário, no primeiro momento, compreender as representações que as populações Ndau concebem sobre os aspectos da vida e da morte.

 

Franz Boas, antropólogo que usou como informate k”amba Simango, escrevia em 1920 que a vida para os Ndaus designa-se por Vgomi. Sobre o conceito de pessoa, ela é constituído por duas partes:

 

- O corpo, muvili, e o espírito, bvuli.

O muvili é uma espécie de sombra, ou o reflexo/imagem de um ser. Após a morte só o bvuli é que se mantém vivo e transforma-se no espírito, murugo.

 

O murugo tem o carácter e a forma do falecido. Não fica no túmulo como o corpo, mais fica a viver com a família, é imortal, e os Ndaus não acreditam na reencarnação.

 

Os Ndaus utilizam o termo Mudzimu para designarem o espírito de uma família. Os vadzimu (plural) são os espíritos de musi e ficam a habitar junto dos restantes membros que é Nhamussoro:

Exemplo: Quando morrer a pessoa vai se a enterrar, depois aquele espírito, se a pessoa tiver filhos vão para filho ou para filha, caso não tiver vão para outra família daquele falecido(a).

 

Os Vadzimu são, pois, os varungu dos falecidos de determinado grupo familiar, e a sua função é de proteger os membros desse agregado contra todo e qualquer infelicidade que seja provocado por outros espíritos.

 

Uma vez que os Ndaus não existe a noção de acaso e todos os acontecimentos da vida individual e colectiva são interpretados como manifestações dos varungu. Esta função protectora dos vadzimu é sublinhada por S, para que “os vadzimu são bons porque ajudam a cuidar da vida aos que ainda não morreram como se fossem Deus, os vadzimu andam junto de Deus”, “ou também por AI, segundo o qual os vadzimu” é para a protecção da própria família são eles que podem, por exemplo proteger a família de outros espíritos maus. “Os vadzimu da casa fazem luta com aqueles espíritos maus que estiverem a sair da outra casa, para não entrarem na quela casa”.

 

Tem um papel social de enorme ambivalência. Eles são simultaneamente protectores de seu Musi, e nesta estância constituem-se como Vadzimu para os seus parentes, enquanto para todos os outros indivíduos podem significar uma enorme ameaça. Quando os vadzimu actuam no exterior do seu Musi são conhecidos como Nbvuri.

 

Entre os Ndaus de Moçambique não existem a crença, comum entre os povos Shona do Zimbabwe, sobre o espírito de Nhandhoro, espírito de falecido mambo que encarna num médium (Land 1987). Para os Ndaus o espírito Nhandhoro, é um espírito que sai num leão e esta liga do aos trabalhos de médium, Nhamussoro.

 

 

Conclusão

 

 

Terminado o trabalho, esperamos ter conseguido alcançar o que propusemos desde o inicio deste trabalho, isto é, criar nos leitores o desejo de entender melhor a etnologia africana, e facilitar o esforço na compreensão dos conteúdos que foram explicadas. Visto que África tem 53 países, e dentre esses países cada tem sua maneira de vivencia, sua cultura suas crenças. Ao longo trabalho falamos do povo Ndau, que habita desde o vale do Zambeze em Sofala até na parte litoral da República de Zimbabwe. Esse povo quanto a sua origem e história não foram fáceis de traçar devido a escassez de fontes.

Cremos que apresentamos os elementos suficiente para o leitor ter agora uma compreensão adequada da vida e cultura dos povos africanos e em particular dos Ndaus.

 

Bibliografia

 

ADAS, Melhem, Geografia Geral: Quadro político e Económico do Mundo Actual, 8ᵃ série 1º grau são Paulo ed. Moderna, 1979

BICA, Ismael A. Ismael Firoza, Tempos e espaços, Porto editora, 6ᵃ classe, porto editora. Portugal

EDUARDO Medeiro. Ritos de Iniciação da Puberdade, Maputo, 1982

Endereço Electrónico: www.Google.com

FLORÊNCIO, Fernando, Ao Encontro dos Mambos, 1ᵃ edição, imprensa de ciências sociais, Lisboa 2005.

MARTINEZ, Francisco Lerma, Antropologia Cultural, 5ᵃ edição, Maputo, 2007

publicado por malua7rcbm às 16:38
link do post | comentar | favorito
5 comentários:
De Joao maugente a 23 de Janeiro de 2015 às 11:42
Coro colega gostei da sua iniciativa de publicar o trabalho feito por II grupo . Que e para os estudantes ou leitores que quiserem saber Mais sobre a Etnologia dos povos africanos em particular Ndaus " o encontrem. o grupo fez o trabalho com todo carinho.


De Mario a 11 de Outubro de 2015 às 11:54
Gostei desse artigo! eu sou Ndau e tudo esta certo! A próxima vamos aprofundar os mutupos !


De salo a 7 de Dezembro de 2015 às 14:50
Hola!muy interesante tu trabajo. Te comento que estoy trabajando en la traducción de un relato de Carneiro Concalves "Malidza" y me está costando bastante comprenderlo porque hay datos que no tengo...quería saber si me podrías ayudar... Cualquier cosa, queda la dirección de mi correo electrónico, desde ya agradecida por tu aporte. Saludos!!


De Víctor a 14 de Junho de 2016 às 19:27
Gostei do artigo.


De Anónimo a 21 de Junho de 2016 às 17:27
é de elogiar o grupo pelo esforço ! muita forca para vocês que Deus vos Aumente mais o espírito de investigação ...


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